sábado, fevereiro 27, 2010

Consequências ambientais da Madeira


Tragédia anunciada há dois anos.





quinta-feira, fevereiro 04, 2010

A «Nova CP» pelo jornalista Henrique Custódio.

A nova CP



Por Henrique Custódio, jornalista



O Ferroviário, boletim do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário (SNTSF), consultou as fontes da própria CP (designadas «Balanços Sociais da CP, REFER e EMEF») e apresentou resultados comparados entre 1992 (último ano da existência da CP como empresa pública) e 2008 (onde a CP está desmembrada e semi-privatizada em três empresas, CP+REFER+EMEF).

As comparações são chocantes.

Em termos de efectivos globais, desde 1992 até 2008 o número de trabalhadores diminuiu 10.218 em todas as áreas, à excepção do núcleo dirigente, onde houve um aumento de 11 gestores e 502 quadros superiores.

Daqui resultou que a relação trabalhador/quadro superior, que em 1992 era de 35 para 1, passou em 2008 a ser de 9 para 1...

O SNTSF não hesita em assinalar que, na actual CP semi-privatizada e desmembrada, «reduz-se na área da produção para dar lugar, em muitos casos, aos “boys” dos diversos governos».

Quanto às despesas com pessoal, as assimetrias tornaram-se também abissais: entre 1992 e 2008 os custos com gestores cresceram 110%, enquanto com os restantes trabalhadores (onde se incluem os quadros superiores) cresceram apenas 23%.

«Por isso as assimetrias se acentuam e os trabalhadores vêem as injustiças a crescer», frisa o Sindicato.

Mas o pior de tudo é que, ao contrário do que prometeram, os resultados não melhoraram, antes pelo contrário:

Hoje, as empresas divididas custam muito mais ao erário público do que em 1992, quando a CP era única no sector.

Os números não enganam e são arrasadores:

Em 1992, a CP tinha um défice acumulado de 178.048.602,87 euros (cerca de 178 milhões de euros); em 2008, o conjunto das três empresas (CP+REFER+EMEF) atingiram o défice acumulado de 433.202.416,46 euros (cerca de 433 milhões de euros), ou seja, entre 1992 e 2008 a CP aumentou quase duas vezes e meia o seu défice acumulado.

Todos nos lembramos da argumentação expendida pelos governantes da altura (como sempre, do PS ou do PSD/CDS), para justificar o desmembramento da CP em três empresas e decorrente entrega aos privados dos segmentos lucrativos: era imprescindível reduzir o défice da CP, a par de rentabilizar e agilizar o transporte ferroviário em Portugal.

O resultado está à vista:

O défice da CP passou, em 15 anos, para quase o triplo, o transporte ferroviário degradou-se, «encurtando» com a supressão regular de linhas e ramais, deixou de servir populações inteiras e vastas regiões porque a sua componente «privada» passou a privilegiar as linhas imediatamente rentáveis e a subalternizar ou a abandonar o que fosse «apenas» estratégico e de interesse público, tanto para as pessoas como para a economia e o desenvolvimento nacional – enfim, o transporte ferroviário, por definição mais económico, sustentado e ecológico foi sendo paulatinamente substituído pelo transporte rodoviário, muito mais caro e poluente.

A componente pública que se manteve na «nova CP» - fragmentada e semi-privatizada - tem servido para três coisas:

Para canalizar os dinheiros públicos, que por sua vez irão cobrir todos os défices, desmandos e investimentos necessários às explorações rentáveis e entregues de mão beijada aos privados e, finalmente, para alimentar a multidão de «amigos» dos sucessivos governos e governantes, por ali acomodados entre uma tão crescente legião de «gestores e quadros superiores» que, actualmente, o rácio já é de um desses quadros por nove trabalhadores... »

Mário Crespo



Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento.



O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa.



Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal.



Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o.



Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos.



Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados.



Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre.



Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009.



O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu.



O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”.



O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”.



Foi-se o “problema” que era o Director do Público.



Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu.



Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada. »
Com palavras simples, puras, vividas.........

" Conheço este problema pessoalmente. Estava em Luanda, quando Alegre
se pirou. Mais tarde, quando entrei prá “guerra” o meu Batalhão foi
colocado em Nóqui, lá em cima, encostado ao Zaire, junto à fronteira
com Matadi. Nessa região ouvia-se através dos famosos rádios
portáteis Hitachi, com uma boa onda média, a voz de Matadi e a voz da
Argélia, emissores criados por desertores que, através de
infiltrados nas forças armadas, denunciavam as n/operações. Muitas das
emboscadas que sofremos resultaram da traição desses “grandes filhos
da puta “. Uma das vozes que se ouvia era a desse pulha, Pateta
Alegre. Lembro-me que 48 horas após se ter instalado um posto de
observação, um grupo de combate, um canhão, um radar no cimo do
morro de Noqui, donde nós observávamos toda a movimentação de
aproximadamente, 2.000 “turras” concentrados numa sanzala no outro
lado da fronteira, ouviu-se a voz do Alegre a denunciar a nossa
posição. Andámos a levar porrada na estrada entre S.Salvador e Nóqui
durante mais de 4 meses. Numa das viagens sofremos 9 ataques. Um dia,
em Nóqui, junto ao Rio, onde se situava o nosso aquartelamento, o
então Tenente-Coronel Isaltino, mandou tocar a formar. Formou-se o
Batalhão e o corneteiro tocou a sentido, fez-se silêncio chegou o
Tem.Coronel e disse: o furriel Marta (mulato) dê um passo em frente.
O sacana era o informador. Fazia-o através dum preto que era vendedor
das célebres colchas congolesas, em Nóqui. Nesta guerra a Pide teve
um papel muito importante. Informávamo-nos dos movimentos desses
traidores. Bem…. não sei se estás a ver… o cabrão não foi linchado
porque foi imediatamente evacuado para Luanda. Cerca de 2 anos depois,
estava eu ainda na guerra ouvi a voz deste traidor nas rádio Matadí.
Tinha fugido das cadeias de Luanda. Sofri no corpo os efeitos da
atitude desses traidores.

Paulo Chamorra"

São estes indivíduos, que quem está a escrever a História recente
deste País, considera democratas, um exemplo, etc.

É nojento verificar que a actual classe política mantenha o discurso
que foi construído nos tempos da dita revolução, com a entrega de mais
de 90% do nosso território a bandos de bandoleiros que mais não fazem
do que viver bem, com profundo desprezo por todos os restantes milhões
de habitantes daqueles países.

A prossecução destas atitudes revela bem que estes últimos 30 e tal
anos apenas serviram para transmitir o que de mais reles existe nas
cabecinhas destes fulanos – de facto bem ensinados por quem modelou a
nossa sociedade – os Mários Soares, os Rosa Coutinhos e respectiva
pandilha.

De facto, algo tem que ser feito para que a Verdade seja reposta, se é
que ainda vamos a tempo. O calibre deste fulano, o calibre dos Mários
Soares que vão pululando por estas terras com inteira impunidade, é de
facto REVOLTANTE!!!

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

"Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar.
Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis, e um exército de professores, explicadores, educadores e
psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição.
Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito.
É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho.
Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac.
É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos.
A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima.
Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que " o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!"